Clube de Regatas Barra do Ceará
Não sei de nenhum registro de
alguma “Regata” realizada por conta deste Clube que, na época, era vizinho à
foz do Rio Ceará. No entanto, a minha frequência lá se deu por conta das festas
de formatura dos colégios de Antônio Bezerra e vizinhança em todos os finais de
ano.
A partir de 1969 quando completei
18 anos meus pais me permitiam ir às festas. Mas, era coisa chique, e tinha de
arranjar o obrigatório paletó e dinheiro para as passagens de ônibus. As duas
coisas eram um problema só. Tinha vez que o dono do paletó ia para festa
também, aí tinha que ter alternativa e nem sempre tinha. O dinheiro a gente
podia solucionar indo a pé. Um estirão danado, mas que de Antônio Bezerra dava
de encarar. Cansei de ver grupos de rapazes no “pé-dois” enquanto eu passava no
ônibus.
Isso foi no meu tempo de rapaz.
Os clubes de Fortaleza exigiam nas Festas
De Final De Curso das escolas, “traje passeio completo”. E cada final de ano
era um deus nos acuda. Tinha festa desde o Náutico, passando pelo Clube dos Diários,
América, Líbano e Ideal, mas eram clubes chiques demais, não dava pra mim, porém
se eu pudesse iria a todas do Clube de Regatas Barra do Ceará. Contudo, tinha
de ter “traje passeio completo”. Mas aí, depois da festa começada dava pra
entrar sem convite e a fiscalização diminuía.
Então era um tal de ver paletó
voando por cima do muro para os colegas que ainda não tinham entrado nem tinham
paletó. A “macharada” solidária botava alguns paletós nas cadeiras e o resto
dos paletós voava por cima do muro para os infortunados colegas e os donos
deles iam dançar só de camisa social e gravata. Quando o fiscal clube
perguntava pelo paletó a gente apontava uma cadeira e dizia que estava ali
assim… por causa do calor, é claro!
Acho que o porteiro estranhava
aqueles arranjos de “calça marrom, camisa branca e paletó verde” ou “calça
azul-clara, camisa xadrez e paletó preto”. Não quero nem falar das gravatas.
Acho que ele estranhava, mas depois das dez da noite um espírito de caridade
baixava no homem e o pessoal entrava...
Ah, que tempo bom, Deus do céu.
Namorava-se a “três por dois”, mas soube de gente que começou no salão e
terminou no altar!
Prof. CESAR Bolkan (17.11.2023)
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